VOLTAR AOS ARTIGOS

VITOR OLIVEIRA

Rua de Santo António, 4
Casais da Navalha
2510-020 OBIDOS
PORTUGAL

Tlm :+ 351 919247265

daktari@canildaktari.com vmdso@canildaktari.com

Apresentação do Canil:

Criação seleccionada em beleza (vários campeões de beleza) e trabalho. Cachorros e jovens com origens prestigiosas, perfeitamente sociabilizados, para a guarda, companhia, exposições, criação. Garantias legais. Acompanhamento e conselhos assegurados .

O CÃO E A FAMÍLIA

Todos os donos de cães sabem que decidir ter um cachorro, é um pouco como tornar-se pai: as coisas nunca mais voltam a ser o que eram.

A rotina doméstica tem de ser toda alterada e vai passar a regular-se pelas vontades deste ser tão pequeno, mas já tão exigente. Quando de dono de um cão se passa a dono de dois, dá-se outro grande passo, e pode dizer-se, vendo as coisas de uma maneira extrema, que se ter um cão é ter um animal doméstico, ter dois é ser dono de uma matilha.

Um cão nasce com o instinto social de grupo muito desenvolvido. Se, enquanto cachorro, for criado na companhia de outros cães e também de pessoas, ele olhará ambas as espécies como membros da matilha.

Os cachorros possuem uma linguagem corporal instintiva que usam para comunicar com os seus semelhantes. Porém, por exemplo, fazer um convite para a brincadeira. Adoptando uma posição característica ou reconhecer a superioridade de outro membro da matilha, através da "submissão passiva".

LINGUAGEM CORPORAL


Nós, humanos, não partilhamos esta linguagem, embora alguns gestos (bater com os dentes uns nos outros, como atitude agressiva) sejam compreendidos intuitivamente.

Também outros "sinais", como os que indicam vontade de brincar podem ser rapidamente aprendidos.

Há, no entanto, comportamentos difíceis de decifrar. Os donos ficam indecisos, sem saber se o cão, ao chegarem visitas, ladra por se sentir assustado, demonstra agressividade, ou está apenas excitado e alegre.

Os donos também cometem um erro, ao julgar que o insistente pedido de atenção por parte do cão, é uma expressão de submissão afectuosa; na maior parte das vezes esta atitude é uma expressão de dominação - o cão exige atenção.

Também é vulgar os donos não entenderem como funciona a sua própria linguagem corporal. Por exemplo, as "palmadinhas" afectuosas, que para o dono são um gesto amistoso, podem ser para o cão que está preocupado com a dominação, interpretadas como uma ameaça e uma demonstração de superioridade.

Os cães, por outro lado, não têm geralmente problemas em "ler" as mensagens uns dos outros. As excepções são aqueles que foram separados da mãe e da ninhada muito cedo, por volta das 6 semanas ou por vezes mais cedo ainda.

Apesar dos padrões de comportamento serem inatos, parece ser necessário praticá-los de muito jovem, para os aperfeiçoar. Por exemplo, cães que não tiveram este tipo de treino têm dificuldade em cobrir, pois não são capazes de decidir qual é o lado correcto...

Também são bastante vulgares as lutas com outros cães, não porque sejam animais de natureza agressiva, mas sim porque não aprenderam a mostrar as atitudes que serão identificadas pelo potencial adversário como sinais de submissão. Existe um outro tipo de cães que por vezes sofre de problemas de "comunicação social"; são os cães com o pêlo tão longo e abundante, que os outros cães podem ter dificuldade em entender o que eles querem expressar.

ALTERAÇÕES FÍSICAS


Há mudanças que ajudam os cães a ser predominantes na hierarquia. O cão dominante é normalmente o cão maior, de personalidade mais forte, exuberante e sexualmente madura.

 

Quando os donos de um cão já adulto adquirem um novo cachorro, este assume de imediato o papel de subordinado, mas à medida que vai crescendo e adquirindo maturidade, ele pode começar "o desafio" para dominante, e iniciar tempos turbulentos no lar calmo até então.

 

Mudanças hormonais podem também afectar as fêmeas com crias. Além de ser ferozmente protectora em relação à ninhada, a cadela pode passar a assumir o papel de dominante. Os cães da casa, habituados a olhá-la como um ser inferior, calmo e pacífico, irão de repente defrontar-se com uma fera, que não só não os consente senão a uma distância respeitável dos bebés, mas quer também que abandonem a cozinha quando ela está a comer e que saiam imediatamente do sofá, quando ela Ia quer descansar. Na maioria dos casos, este tipo de comportamento desaparece, à medida que os cachorros crescem, mas por vezes resulta num assumir de comportamento dominante permanente.

Quando há brigas, que fazer ?

Qual deve ser a atitude dos donos quando dois cães lutam? Por vezes é aconselhável ignorar a situação e deixar que eles resolvam por si mesmos a questão. Há, é evidente, um certo elemento de jogo, enquanto a situação estives mais ou menos equilibrada entre os dois contendores. No entanto, se a briga se tornar séria, com risco de feridas para um dos lados, o melhor é intervir e separar os zaragateiros.

Geralmente, os cães entendem-se uns aos outros, muito melhor do que as pessoas o fazem. Isto significa que ter mais do que um cão é como observar estrangeiros que falam entre si na sua língua natal; pode-se apanhar uma palavra ou outra da conversa, mas a maior parte do tempo está-se completamente perdido...

Saber mais acerca da riqueza e subtileza da linguagem corporal dos cães, pode ser uma fonte de surpresas e satisfações, especialmente para quem tem mais do que um cão. Os padrões de comportamento instintivo dos cães são tão semelhantes aos dos lobos, que livros como o Ziken escreveu (1981) sobre a comunicação entre os últimos são muito úteis.

Muitos donos, contudo, ignoram estas complexidades, e se lhes perguntarmos como são as relações entre os seus cães, a resposta normalmente será - eles dão-se bem. Se o cão nos pudesse responder, certamente que as suas respostas seriam bem mais interessantes.

A HIERARQUIA CANINA

Os problemas mais comuns nos cães são sem dúvida as confrontações caninas, sempre motivadas por incerteza sobre quem domina quem.

Os cães vivem numa hierarquia, com um chefe dominando sobre toda a matilha, um sub-chefe e assim por diante. Um cão "subordinado" toma a "deixa" dos dominantes, seguindo a sua chefia, (se os membros dominantes são cães) e obedecendo às ordens (se são pessoas). Entre os cães, a opinião sobre o seu próprio status relativamente, é comunicada com subtileza. O trabalho para a manutenção de dominância é constante e os donos, na maior parte das vezes, não se apercebem disso.

OS DESAFIOS E AS CONFUSÕES

Por vezes, surgem problemas. Se um membro da matilha considerado pêlos outros cães como subordinado, iniciar atitudes dominantes, surgirão conflitos. Isto pode acontecer por diversas razões. Os membros humanos da matilha podem, através de comportamento errado para com um cão de estatuto inferior, ao tratá-lo como dominante, dar-lhe "ideias" sobre o seu lugar, alimentando-o em primeiro lugar ou prestando-lhe mais atenção do que ao cão dominante. Ele pode conseguir este tratamento preferencial por ser meigo e bem comportado - o comportamento dos cães subordinados tem maior atractivo para muitos donos, pois é habitual seguirem-nos por todo o lado, olhando-os com expressão de adoração; os cães dominantes tendem a ser muito mais independentes. A preferência também pode surgir devido à agressividade demonstrada pelo cão dominante em relação ao cão de estatuto inferior.

Nestes casos, quando é a intervenção humana que desequilibra a situação, os cães lutam apenas quando o dono surge, como se o cão em inferioridade percebesse que pode desafiar o dominante, porque pode contar com a protecção do dono, isto é, "tem as costas quentes"...

A MATILHA - SINÓNIMO DE ESTABILIDADE


Devemos ter sempre em conta que os cães se sentem mais seguros se fizerem parte de uma hierarquia firmemente estabelecida. Uma situação ambígua é uma fonte de stress constante.

Do ponto de vista humano, são os cães subordinados que parecem ser mais felizes. Cabe no dono, após ter percebido quem é o cão dominante, reforçar esta posição, tratando-o sempre como tal: dar-lhe tratamento preferencial, fazer-lhe festas, alimentá-lo, deixá-lo subir para o carro sempre em 1a lugar, etc.

Os cães com estatuto de subordinados devem ser repreendidos sempre que fizerem tentativas de dominação. Esta atitude pode parecer extremamente desumana, mas devemos lembrar-nos que justiça e igualdade de direitos não são conceitos compreensíveis para um cão: ele ficará confuso com as atitudes erradas de um dono que tenta tratar todos os seus cães da mesma maneira.

COMPLICAÇÕES FAMILIARES


Alguns dos maiores problemas de estabelecimento de uma firme hierarquia entre os cães surgem quando há discordância entre os membros da família humana, sobre quem deve dominar, Com a nossa habitual debilidade pêlos mais fracos, vamos implantar a confusão. Não será possível chegar a uma solução sem regras de vivência próprias, e não uma extensão de nós mesmos. E isto é bem mais fácil de dizer do que aceitar...