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VITOR OLIVEIRA

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Apresentação do Canil:

Criação seleccionada em beleza (vários campeões de beleza) e trabalho. Cachorros e jovens com origens prestigiosas, perfeitamente sociabilizados, para a guarda, companhia, exposições, criação. Garantias legais. Acompanhamento e conselhos assegurados .

O Schutzhund e O Pastor Alemão

 

"Faça-me um favor, preserve sempre
o pastor alemão como um cão de trabalho"

Capitão de Cavalaria Max von Stephanitz

A Fundação de uma Raça


Era final do século XIX. O conceito de cinofilia já era uma ideia muito bem estabelecida: a criação de cães visando atender o padrão específica definidor da raça, aperfeiçoando-a através da selecção, utilizado como principal critério exposições onde um juiz julgava a conformação estrutural e beleza dos exemplares. Diversas raças belíssimas e sofisticadíssimas já haviam sido bem desenvolvidas. Neste modelo vigente, não parecia haver espaço para o surgimento de uma nova raça de sucesso, que pudesse disputar com as já existentes. O critério beleza reinava absoluto: o homem desenvolvera um fino gosto pelo belo e aparentemente não haveria interesse por uma raça que não atendesse primordialmente a este anseio.

Surge então em cena Max von Stephanitz, um jovem capitão do exército alemão. Fascinado pela inteligência de um cão que vira em uma exposição agropecuária, comprou-o. Este cão feio, surgido de uma actividade tradicional de pastoreio, se tornaria Horand von Graffath, o SZ1, o primeiro pastor alemão. Na convivência com o animal, Stephanitz apaixonou-se por sua esperteza, versatilidade, dedicação, vontade de servir e coragem. Estas qualidades compensavam com sobra sua falta de beleza. O animal exibia grande potencial de serviço, inspirando uma nova categoria cinófila, a do cão de utilidade, criado e aprimorado para ser útil à humanidade. Com base neste ideal, fundou-se, no ano de 1899 a raça Pastor Alemão através de seu primeiro clube, o "Schäferhund Verein" (SV - Clube do Pastor Alemão).

Jovem idealista, Stephanitz exerceu papel fundamental no estabelecimento do padrão da raça e seus objectivos. Como dirigente tornou-a em poucos anos a maior entidade dedicada a uma só raça no mundo, o que se mantém até hoje, um século depois. Em 1.904 a SV tinha 600 sócios, em 1.918, 5.900, em 1.923, 57.000 e actualmente, mais de 100.000.

O Pastor Alemão, ao longo dos seus 100 anos, tem sido grande companheiro das crianças, mascote inestimável e amoroso, tem actuado no apoio a forças policiais, militares e de segurança, busca e salvamento, cão de utilidade para deficientes, guia de cego e cão para terapia em hospitais, orfanatos e asilos. Desempenhou todas as funções que um cão poderia. Seu grande segredo é sua versatilidade. Desde os trópicos até a zona polar, na floresta ou no deserto, na cidade ou no campo, o homem sabe que sempre terá no Pastor um parceiro valoroso e dedicado.

A origem do "Schutzhund"


O novo conceito de cão de utilidade, criado com a raça Pastor Alemão não era compatível com seu aperfeiçoamento apenas através de exposições. Havia que se estabelecer aferição da aptidão ao trabalho dos animais, de modo a seleccionar aqueles mais valiosos ao programa de criação. As provas de pastoreio já eram muito apreciadas pelo público, porém limitavam-se a pastores profissionais e fazendeiros. O pastoreio era uma prova inacessível aos habitantes das cidades. Chegou a ser cogitada a utilização de provas que simulassem o uso do cão em guerra, porém esta ideia foi veementemente rejeitada pelos principais criadores: aquele criado para a servir à humanidade não deveria ser avaliado ou associado à guerra do homem com o homem.

O Pastor Alemão é um cão de protecção (em alemão, schutzen = proteger), uma espécie de anjo da guarda da família sobre quatro patas (ou em alemão Schutzengel = anjo da guarda), ou, melhor ainda, o cão da guarda da família (der Schutzhund, Hund = cão). Surgia, em 1906, primeiro regulamento do Schutzhund, espécie de triatlo canino, envolvendo Faro, Obediência e Protecção, na qual o cão só é aprovado se apresentar desempenho suficiente nas três secções.

Por incentivo do capitão Stephanitz diversas unidades da força policial e militar alemãs receberam por doação pastores alemães e auxílio técnico para seu adestramento para uso policial e militar. O schutzhund foi rápida e amplamente aceito, servindo até hoje como critério de selecção da raça pastor alemão, originando e influenciado diversas formas de competições militares, policiais e profissionais.

O ideário de fundação raça pastor alemão, como cão de utilidade e serviço, foi inovador para a época e foi o elemento que possibilitou sua consolidação como raça mais popular do planeta. O "schutzhund" tem um papel especial nesta história de sucesso, como ferramenta de mensuração da capacidade de trabalho dos animais, tendo-se tornado desporto altamente popular com centenas de milhares de praticantes no mundo. O campeonato alemão e mundial frequentemente tem mais de 30.000 pessoas de público pagante, televisionamento e filmagem vendida para o mundo todo.


A prova


Schutzhund (abreviado SchH) divide-se em níveis de dificuldade SchH 1, SchH 2 e SchH 3. Há também a prova preparatória BH (prova de trânsito, que afere o comportamento do cão em público, convivendo na sociedade) e o SchH A (igual ao SchH 1 sem faro), e provas complementares como o FH1 e FH2 (provas especializadas de faro com elevado grau de dificuldade).

A prova de FARO consiste em uma trilha com comprimento variável em função do grau de dificuldade (Sch 1 - 350 passos; Sch 2 - 600 passos; Sch 3 - 800 passos; FH - acima de 1000 passos), que é marcada por uma pessoa caminhando em passo normal. O traçado desta trilha varia (Sch 1 e Sch 2 - 3 rectas e 2 ângulos de 90O; Sch 3 - 5 rectas e 4 ângulos; FH1 - 7 rectas e seis ângulos; FH2 - 8 rectas e 7 ângulos). Nesta trilha são largados objectos. Após determinado tempo que a trilha foi marcada (Sch 1 - 20 min; Sch 2 - 30 min; Sch 3 - 60 min; FH - 180 min), o cão é trazido ao início da trilha com a missão de percorrê-la e localizar os objectos deixados. Deve trabalhar com o focinho rente ao chão, com intensidade, concentração, calma e precisão sem se afastar da pista. Qualquer desvio deste comportamento custa a perda de pontos ou mesmo a desclassificação. O total de pontos possíveis nesta secção é 100 e o mínimo requerido para aprovação é 70.

A prova de OBEDIÊNCIA envolve o trabalho do cão andando ao lado de seu condutor com trela ou sem trela, os exercícios de sentar, deitar, correr até seu condutor quando chamado, "congelar" em pé ou deitado em meio à marcha, buscar um objecto lançado a distância e trazê-lo até seu condutor tanto no plano como saltando sobre um obstáculo de 1 m ou escalando um obstáculo de 1,8 m, correr à frente de seu condutor na direcção indicada e ficar deitado sem se mover de um local, mesmo sob presença de distracções e distante de seu condutor. O cão é avaliado pela precisão e rapidez de seus movimentos e por sua atitude positiva, mostrando seu desejo de trabalhar. O excelente relacionamento cão / condutor é imprescindível nesta fase. Movimentos mal executados ou não executados, bem como lentidão e falta de vivacidade, ocasionam perda de pontos. O total de pontos possíveis nesta secção é 100 e o mínimo requerido para aprovação é 70.

A prova de PROTEÇÃO consiste em exercícios nos quais o cão protege seu condutor de um agressor. Primeiramente, ele é comandado a localizar um intruso oculto num dentre vários esconderijos, devendo latir avisando e mantê-lo sob vigilância até a chegada do condutor. O intruso é um figurante protegido com macacão e uma luva de mordida no braço. Após ser desalojado do esconderijo, tentará fugir, cabendo ao cão impedi-lo. Ao receber a mordida do cão na luva, o figurante exerce grande pressão sobre o cão, com seu olhar, movimentos e com uma vara em sua mão. A vara é acolchoada e seu papel é mais psicológico do que físico, poucas vezes tocando o cão. Pó último, outro figurante surge, a cerca de 100 m de distância, recebe ordens de parar e ignora-as, correndo ameaçadoramente na direcção do condutor; o cão é enviado para impedi-lo: corre a grande velocidade e se lança sobre o agressor. O impacto é enorme e após uma luta de alguns segundos, o figurante pára e o cão recebe ordem de largar. A actuação do cão na prova de protecção visa o tempo todo reagir a um ataque sofrido com a força e agressividade necessárias para a protecção de seu condutor. O sucesso nesta secção da prova depende não só do adestramento, mas do cão em si: sua coragem, determinação e auto-controle. O cão deve ser absolutamente controlável e obediente. O total de pontos possíveis nesta secção é 100 e o mínimo requerido 80.

Eder de Silvio - 1 de junho de 2002